segunda-feira, abril 30, 2007

Pix Lax!

Isso mesmo! Conhecem?

Pois é!

É uma das maiores bandas gregas de sempre e eu fui encontrá-la no youtube, dez anos depois de a ter recebido das mãos de um grego, em Kalogria, no Peloponissos, em formato K7.
Pix Lax pode significar duas coisas: em grego antigo, "esmurra-espezinha"; em grego moderno, qualquer coisa como "espadas de madeira", embora isto seja já muito forçado. Escolham o que mais vos agradar.

Valha-nos Santiutube!



Monaksia mou ola significa "a minha solidão é tudo"...

...num domingo à noite... já se vê...


E só para quem sabe: Zingoualaaaaaaaaaa, Zingoualaaaaaaaaaaaa,Zingoualaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

sábado, abril 28, 2007

Ves? Eu disse-te...

"Por favor no hagas promesas sobre el bidet
por favor no me abras más los sobres.
Por favor, yo te prometo te escribiré
si es que para de correr.
Por favor, sigue la sombra de mi bebé,
por favor, no bebas más, por favor no llorés.
Por favor yo te prometo te escribiré
si es que para de llover.
Porque me tratas tan bien, me tratas tan mal
si sabés que no aprendí a vivir.
A veces estoy tan bien, estoy tan down.
Calambres en el alma,
cada cual tiene un trip en el bocho
difícil que lleguemos a ponernos de acuerdo."


Promesas sobre el bidet
Charly García.

segunda-feira, abril 23, 2007

Subscriçao familiar! ;)

Cracóvia, 22 de Abril de 2007



Caros Familiares,

Escrevo-vos da Polónia, onde tento organizar a minha vida, entre aulas e leituras para o meu doutoramento. Estou bem e espero que também vocês passem bem.
Esta carta e seu motivo não vos devem estranhar – não faria assim o que não exigisse a reflexão, que um frente-a-frente não proporciona. Como é do conhecimento de alguns, o telhado de minha está já muito velho e, apesar dos inúmeros esforços para o reparar, persistem inúmeras goteiras – e a coisa é grave! Deste modo, ao invés de utilizar a minha bolsa de doutoramento também na Polónia, sem dúvida melhorando a minha qualidade de vida, optei por acumulá-la, a fim de o reparar definitivamente, com um reforço estrutual em betão, vigas e telhas novas, hidrofugadas. A minha mãe pagará, em nome de meu irmão, a metade que lhe corresponde.
Porém, se é verdade é que as obras se iniciaram já, o que nos deixou bem contentes, é-o também o facto de faltarem ainda cerca de 2000 euros num orçamento que ronda os 11000. Não vos poderia nem quereria pedir nunca a totalidade desta quantia – bem sei que têm as vossas despesas e obrigações. Apelo, todavia, à vossa colaboração, depositando o que puderem – se puderem! – na conta abaixo identificada:

Caixa Geral de Depósitos – Balcão de Ferreira do Alentejo
NIB: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Nº de Conta: xxxxxxxxxxxxxxxxx

Com esta carta não vos pretendo impor qualquer dever ou obrigação. Se assim, escrita no plural e a computador vos parece uniformizada e seca, é não só para que dela tenham uma compreensão de dimensão familiar, mas também para vos fazer superar as dificuldades que a minha caligrafia imporia.

Com votos sinceros de imensa felicidade,


Esta é a carta que escrevi à minha família (toda) a solicitar... bem, já sabem o quê! Se alguém se sentir motivado para colaborar, não hesite e solicite-me o NIB, que aqui na net suprimi ao documento por questões de segurança.

Qua acham da cartinha, ahn? Tem qualquer coisa de Bono Vox a apelar ao fim da dívida dos países do 3º mundo, mas mais simpática!

domingo, abril 22, 2007

E tu tambem!

Que é para não te armares em parvo!


Não comes queijo, mas também não pagas os petiscos!

Jancro!

O meu amigo Eugénio é amigo de 31 pessoas no hi5 e, não sendo eu a adicioná-lo, estou certo de que ele também não o faria - não sei se por ser muito meu amigo... ou se por ser amigo dos outros todos! Mas entre os amigos de hi5 do Eugénio, há pessoas que são minhas amigas, minhas inimigas, ou que me são indiferentes.

Curioso é que estejamos todos a uma ligação de hi5 de nos tornarmos amigos de todos: dos amigos dos amigos, dos seus amigos e inimigos, dos inimigos destes, das primas que vivem no Luxemburgo, daquele moçambicano alto que o Eugénio não sentiu senão pelas costas quando morava em Utrecht e da cidadã polaca da qual o Zá fugiu na passagem de ano enquanto cantava o "I will survive" a rodar o punho no ar à Jimmy Summerville.

Mas o queijo de Serpa a 20 euros o quilo é à minha casa que o vai comer quando lhe dá a grisa!

...jancro! De castigo, ponho aqui a tua melhor foto!

sábado, abril 21, 2007

"Se as gajas nao fossem tao giras...

... juro que era gay!"

Podia ser bem o grito dos heterossexuais do sexo masculino presentes nas manifestação para a tolerância, que fez confluir a Cracóvia gays, não gays, cães da polícia, polícias e um espanhol. Não sei o que este andava cá fazendo, mas ouvi-o a gritar "hijos de puta" a uma frente de skins, dele separada por 50 cm de agente da autoridade (que é o que um polícia polaco tem de largura!).

Para a maioria dos gays presentes, estava fora de questão ser skin - e o que é que se fazia à roupa colorida que lá há para casa!? Depois, dá muito trabalho enfiar as calças dentro das botas da tropa.

Para a maioria dos skins presentes, estava fora de questão ser gay - dá muito trabalho despir as calças de ganga e quase enfiadas no rabo e as t-shirts justas. Depois quase sempre as cabeças rapadas criam borbotos nas blusas e as mães deles zangam-se.

Em suma, ninguém estava de acordo e reuniram-se para uma discussão amena sobre a questão - não sei porquê, os skins excitaram-se na presença de tantos gays... são uns mariquinhas!





Fora de brincadeiras... a manifestação para a tolerância foi giríssima e eu, HETEROSSEXUAL DO SEXO MASCULINO, estava lá!!!!

Surpresa bonita!

Da última vez que ouvi esta música, ainda o "balão mágico" dava na televisão portuguesa e sim... tinha quatro anos e sim... estou ficando velho, mas sim... colou-se-me à memória como o cheiro a ambientador ruim das casas de banho do infantário - talvez porque tenho ouvido coisas parecidas das bocas de algumas mulheres... que não a Paula Toller dos Kid Abelha...

20 anos depois...



"Como eu quero"

"Diz pra ficar muda faz cara de mistério
Tira essa bermuda que eu quero você sério
Tramas do sucesso mundo particular
Solos de guitarra não vão me conquistar

Hum! Eu quero você como eu quero

O que você precisa é de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho em arte final
Agora não tem jeito "cê" tá numa cilada
Cada um por si você por mim e mais nada

Longe do meu domínio "cê" vai de mal a pior
Vem que eu te ensino como ser bem melhor"

E a verdade é que nunca soube de quem era isto, senão hoje, por acaso, no youtube... GENIAL! Não sei se são as cataratas da velhice ou simples emoção... mas tenho uma lagriminha periclitante ao canto do olho. SNIFF!

sexta-feira, abril 20, 2007

Parabens!

Hoje, a minha mãe faz anos. 49!

Se desse jeito, embrulhava-lhe o Cohen em papel muito lustroso e com um laço bonito. Assim, mando-lhe apenas este "dance me to the end of love". Parabéns!

quarta-feira, abril 18, 2007

"Era uma casa..."

A minha casa tem dois pisos; uma porção de quartos e salas, que nós fingimos ocupar só para não se estragarem; três casas-de-banho; três cozinhas, uma garagem e um quintal cheio de flores. A minha casa tem um telhado só para dizer que o tem, porque chove em casa como na rua; tem canos de chumbo que nos matariam de cancro... se a casa não fosse nossa, e os canos também! Tem um sistema eléctrico que desafia qualquer lei física e que funcionaria mesmo sem pagar à EDP... se eu quisesse... Tem isto tudo, a minha casa e até tem janelas que parecem chorar, por causa de um pintor bêbado que se esqueceu de pôr cola no corante das barras. E chora assim há longos anos...
Mas hoje, a minha casa começará a receber um telhado novo, com telha francesa hidrofugada da melhor marca do mercado e vigas de cimento. Receberá também um reforço em betão nas paredes e o sótão passará a estar dividido ao meio, e possivelmente, a ser habitado por gente... e não por pássaros. O custo da obra é muito maior do que eu poderia pagar, mas divido as despesas com a minha mãe, que paga a parte do meu irmão mais novo... serei, por força, seu herdeiro!;) Para dizer a verdade, contamos encontrar alguma libra de ouro, dessas que escondiam nos telhados para dar sorte, ou alguns fardos de haxixe, que o meu pai, nos bons velhos tempos, tenha escondido sob o soalho... e esquecido! De outro modo, passarei o verão todo em sem dinheiro para um gelado, quanto mais para férias!

Já que nos chora a casa, aos menos que não nos chore o céu em cima!
É que nós somos todos pessoas muito felizes!

terça-feira, abril 17, 2007

Japonesices! (escreve-se assim!?)

"Quero ir jantar ao japonês!
É caro e fica no outro lado da cidade, mas quero!" - pensei, enquanto me vinha à cabeça o "eu quero, eu quero, eu quero, eu quero!", dos Heróis do Mar, na versão da mistura possessiva, e me ocorria que ainda tinha uns trocos na minha conta da Caixa, que a minha avó lá tinha deixado aqundo da minha última visita a Portugal.
Rumo ao Kazimierz, bairro judaico de Cracóvia, e que só não é guetto porque está francamente na moda entre os intelectuais, embora a isso se assemelhe em tudo o resto: os prédios parcialmente em ruínas, o cheiro fétido a urina, fezes e vomitado e um judeu ou outro, mais ou menos discretos, a caminho de uma sinagoga, acompanhados ou não pelo segurila, que trouxe de Israel para o proteger dos autóctones (judeus ou não!) . E se isto não for estranho, sê-lo-á o facto de o melhor restaurante japonês da cidade estar implantado aí.
Quando apanho a rua certa, vou lá dar sem problemas; já quando invento, quase sempre acabo numa praça escura ou na margem do Vístula. Foi o que se passou... inventei e tramei-me. Depois de meia-hora a andar, três praças escuras, três passagens pela dita margem do rio e de quase ter perdido o olfacto, afectado pelo cheiro das ruas, dei-me por perdido e em abnegação cristã, embora em bairro judaico, lá aceitei pagar um taxi que me levasse ao Edu Sushi.
"Don't worry!" - disse-me o motorista - "I will take to the sushi restaurant. Of course you will have to pay an extra tax because I find you here. If you had called me, it wouldn't be so expensive. But this is the only taxi in town with GPS; I will take you there: no problem!". Ah bom! Ficava assim mais descansado com o motorista de bigode farfalhudo, à Walesa, que sabia falar inglês porque tinha trabalhado, disse-me, doze anos na irlanda! Nem discuti, coisa rara!
Conduzia um Polonez, marca nacional, modelo de 1985, a beber e a respirar gasóleo - mas tinha GPS! Butões brilhantes, ecrã de quartzo a cores e sinal sonoro de aproximação; as mesmas meia-hora a andar (mas de carro), três praças escuras, três passagens pela dita margem do rio; dez da noite e o japonês concerteza a fechar portas. "My friend" - disse-me "This GPS is not working. If it was american... but it is made in Japan and it is tired of japanese food, for sure." e sorriu. Ao menos tinha sentido de humor, o taxista. "No problem" concluiu "You won't pay anything, not even for the tax"- disse-o mesmo assim, caridosamente, e deixou-me num lado qualquer. No outro lado da rua, o néon discreto do japonês que ele não via e eu não tive a coragem de apontar, ainda com gente lá dentro. É que dita taxa tinha de judeu o que eu tinha de fome...

Agora... como é que se pedia em polaco um prato japonês..?

segunda-feira, abril 16, 2007

"My world is empty without you, babe"

Juro-vos que já vi coisas estranhas e sei que não poucas vezes tenho passado por mentiroso ao reproduzi-las a outros, ainda que me esquive, por refreamento ou estilo ou ambos, a não aumentá-las nunca. Nem sempre funciona, a despeito das boas intenções... sempre passo por mentiroso, ainda que mentiroso com um "saber de experiências feito"... ou de coisas estranhas vislumbradas.
Já vi uma vaca a voar, ainda que o Chico cante que "boi não voa", projectada de uma caixa após embate da carrinha que a transportava contra um camião. Já vi o Mimi a emprestar dinheiro e o Zá sem poder andar calçado, depois de se ter esquecido de pôr bronzeador nos pés... e nas costas das mãos. Já vi o Sami a ir para uma mesa de voto, nomeado pela CDU... e olhem que isto não parece, mas seria mesmo muito estranho, não fosse ele carecer de uns trocos. Já vi, e o Cadinho pode asseverá-lo, uma Mercedes Vito cheia de negros, trabalhadores da manutenção da Expo98, a cantar Demis Russos, em uníssono, às 6.30 da manhã, ao portão do mesmo certame. Mas fui hoje derradeiramente surpreendido por uma coisa nunca antes vista - e olhem que quase sempre me acho suficientemente "espantado de viver"! Mas não estava preparado para isto...
Sob o vão da montra da Lacoste, em plena Grodzka, importante artéria comercial de Cracóvia, à contra-luz da montra iluminada, um bêbado dedicava um "My world is empty..." a uma lata vazia de cerveja Zywiec, que elevava no ar à altura da cara. Pareceu... parecia-se somente o suficiente para deter o passo e acabar de ouvir "without you, babe". Diamanda Galas! Um borracho polaco a cantar Diamanda Galas pelo vício ou pela fé (ou pelo vício da fé) de que alguém lhe pagasse outra daquelas.
Não pago vícios - acho que nem os meus - mas creio ter podido vislumbrar uma lagriminha a escorrer-lhe pelo rosto e comovi-me. Vá que lamentasse uma ausência - irra! tudo bem! - mas cantar Galas e com uma voz rouca que poderia ser a de um Tom Waits!? Tinha tudo de maldito e de louco e de bêbado, até porque isso já ele era. Dei-lhe em mão dois zlotys e meio e disse-lhe "Galas" - apenas sorriu, mas ainda com os dentes todos, e continuou a cantar até as partes em que a voz dela se assemelha à de um borrego na desmama . É que cada um tem os seus vícios, e com os dos outros posso eu bem. Agora... passar sem Galas, num final de tarde morno e de tempos a tempos!?

Até que venha a ressaca, ou mesmo por causa desta, "My wooooooooorld is emptyyyyyyyyyyyy, withooout youuuu baaaaaaabe!"

Da esplanada...

Saí ontem de Portugal com um sol de 20 graus na algibeira e ainda nem consigo olhar para ele directamente, quando lá para dentro espreito.
Hoje, sentei-me a ler numa esplanada solarenga em pleno Plant, uma faixa florestal que delimita o centro histórico de Cracóvia. No altifalante por cima da minha cabeça, um qualquer sucesso comercial, ou um qualquer tema de jazz, que só o dono do estabelecimento, intelectual, a julgar pela decoração e pelos óculos de massa, deverá conhecer. Mas nem sei o que, realmente, estava a tocar. Na minha cabeça, só o Represas: "Da esplanada, em vão me projecto para lá donde me sinto..."- e há nisto qualquer relação com o facto de ainda sentir, mesmo agora, o sol na algibeira... e de sair, de sair lá de dentro um cheiro a mato e à água turva do Guadiana.
Não quero livros nem quadro, nem bares de intelectuais numa cidade centro-europeia na moda; mas um pires de perceves e um Sumol de ananás fresquinho em cima da mesa; eu num alongamento preguiçoso, a cruzar os braços atrás das costas e a mexer a xanata nos pé, a sacudir a areia. Nas mãos, o cheiro a marisco e a manteiga do pão torrado. Quero-me assim, com uma enxaqueca oftálmica que me cegue, lá pelo final da tarde, por ter passado o dia numa esplanada. E não quero uma esplanada qualquer - quero aquela ao lado do castelo, em Milfontes, a avistar o Mira, ou uma outra, a de um restaurante chamado Amalia (assim mesmo) numa praia em Ios, na Grécia, e de preferência com as mesmas pessoas que lá estiveram comigo (para compensar o facto de não estar em Portugal!). Quero isso tudo "para lá de onde me sinto".
Queria-o naquela esplanada e quero-o agora, a estas horas. É que onde estou, não me sinto... absolutamente. Pudesse eu fazer como o outro: "deixo vinte paus na mesa e vou apanhar boleia".

Para um lado qualquer