sábado, novembro 24, 2007

Com a primavera nos dentes...

"Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra-mola que resiste
Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera"

Secos e Molhados, "Primavera nos dentes"

sexta-feira, novembro 23, 2007

Se eu, por vezes, não me esquecesse... como em certa canção...

las palabras fueron avispas
y las calles como dunas
cuando aùn te espero llegar...
en un ataùd guardo tu tacto y
una corona
con tu pelo enmarañado
queriendo encontrar un
arco-iris infinito

mis manos que aùn son de hueso
y tu vientre sabe a pan
la catedral es tu cuerpo...
eras verano y mil tormentas, yo
el leòn que sonrìe a las paredes
que he vuelto a pintar del
mismo color

no se distinguir entre besos y
raìces
no sè distinguir lo complicado
de lo simple
y ahora estàs en mi lista de
promesas a olvidar
todo arde si le aplicas la chispa
adecuada

el fuego que era a veces propio
la ceniza siempre ajena
blanca esperma resbalando
por la espina dorsal
ya somos màs viejos y sinceros,
y què màs da
si miramos la "laguna"
como llaman a la eternidad
de la ausencia

La chispa adequada, Enrique Bunbury

quarta-feira, novembro 21, 2007

Geniais!



Kapela ze Wsi Warszawa - Żurawie

Tu che conosci il cielo

Tu che conosci il cielo
saluta Dio per me
e digli che sto bene
considerando che
che non conosco il cielo
però conosco te
mi va di ringraziare
puoi farlo tu per me?
che intanto sono in viaggio
digli pure che io sono in
viaggio
non lo so dove vado ma viaggio
e gli porterò i miei souvenir
tutti quanti i miei souvenir
tu che conosci il cielo
e poi conosci me
le sai le mie paure
mi sa che sai il perché
che non conosco il cielo
farò come potrò
starò con la gente
per stare solo un po'
facendolo il mio viaggio
cerco il pomeriggio di maggio
non lo so come vado ma viaggio
e gli porterò tutti quanti i miei souvenir


Ligabue

Take this longing

Many men have loved the bells
you fastened to the rain,
and everyone who wanted you
they found what they will always want again.
Your beauty lost to you yourself
just as it was lost to them.
Oh take this longing from my tongue,
whatever useless things these hands have done.
Let me see your beauty broken down
like you would do for one you love.

Your body like a searchlight
my poverty revealed,
I would like to try your charity
until you cry, "Now you must try my greed."
And everything depends upon
how near you sleep to me

Just take this longing from my tongue
all the lonely things my hands have done.
Let me see your beauty broken down
like you would do for one your love.

Hungry as an archway
through which the troops have passed,
I stand in ruins behind you,
with your winter clothes, your broken sandal straps.
I love to see you naked over there
especially from the back.

Oh take this longing from my tongue,
all the useless things my hands have done,
untie for me your hired blue gown,
like you would do for one that you love.

You're faithful to the better man,
I'm afraid that he left.
So let me judge your love affair
in this very room where I have sentenced
mine to death.
I'll even wear these old laurel leaves
that he's shaken from his head.

Just take this longing from my tongue,
all the useless things my hands have done,
let me see your beauty broken down,
like you would do for one you love.

Like you would do for one you love.


Cohen, Cohen, Cohen...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Para Xavi!

Aviso de porta de livraria


Não leiam delicados este livro,

sobretudo os heróis do palavrão doméstico,

as ninfas machas, as vestais do puro,

os que andam aos pulinhos num pé só,

com as duas castas mãos uma atràs e outra adiante,

enquanto com a terceira vão tapando a boca

dos que andam com dois pés sem medo das palavras.


E quem de amor não sabe fuja dele:

qualquer amor desde o da carne àquele

que só de si se move, não movido

de prémio vil, mas alto e quase eterno.

De amor e de poesia e de ter pátria

aqui se trata : e que a ralé não passe

este limiar sagrado e não se atreva

a encher de ratos este espaço livre

onde se morre em dignidade humana

a dor de haver nascido em Portugal

sem mais remédio que trazê-lo n´alma.


Jorge de Sena


Ainda havemos de discutir o Camões.... mas, caro Xavi, o Jorge de Sena era o Jorge de Sena...

domingo, novembro 11, 2007

Fisherman's blues

I wish I was a fisherman
Tumblin on the seas
Far away from dry land
And its bitter memories
Casting out my sweet line
With abandonment and love
No ceiling bearin down on me
except the starry sky above
With light in my head
You in my arms
Woohoo!

I wish I was the brakeman
On a hurtlin fevered train
Crashing a-headlong into the heartland
Like a cannon in the rain
With the beating of the sleepers
And the burnin of the coal
Counting the towns flashing by
In a night thats full of soul
With light in my head
You in my arms
Woohoo!

Well I know I will be loosened
From bonds that hold me fast
That the chains all hung around me
Will fall away at last
And on that fine and fateful day
I will take me in my hands
I will ride on the train
I will be the fisherman
With light in my head
You in my arms

Fisherman's blues, Waterboys



Hoje e sempre, para o Tosco, com um abraço de azinho, e para a Kanuka, a quem um dia expliquei que a lua era feita de queijo e quartos de laranja e teve a sinceridade de dizer que eu era louco!


sábado, novembro 10, 2007

GTS!

"Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio"

"Pensou em como no cobertor da cama se multiplicavam manchas brancas de esperma e cones vaginais, e de como na almofada da mulher havia sempre pegadas de rímel, pensou na indizível expressão dela quando se vinha ou de quando, sentada sobre ele, cruzava as mãos na nuca e rodava o corpo para um e outro lado a fim de lhe sentir melhor o pénis, com os seios grandes balouçando de leve no tronco estreito. GTS disse-lhe sem falar sentado à secretária do hospital, recuperando o morse através do qual comunicavam sem serem entendidos de mais ninguém, GTS até ao fim do mundo, meu amor, agora que somos já Pedro e Inês nas criptas de Alcobaça à espera do milagre que há-de vir."

António Lobo Antunes, Memória de Elefante

quinta-feira, novembro 01, 2007

Au suivant!

Tout nu dans ma serviette qui me servait de pagne
J'avais le rouge au front et le savon à la main
Au suivant au suivant
J'avais juste vingt ans et nous étions cent vingt
A être le suivant de celui qu'on suivait
Au suivant au suivant
J'avais juste vingt ans et je me déniaisais
Au bordel ambulant d'une armée en campagne
Au suivant au suivant

Moi j'aurais bien aimé un peu plus de tendresse
Ou alors un sourire ou bien avoir le temps
Mais au suivant au suivant
Ce ne fut pas Waterloo mais ce ne fut pas Arcole
Ce fut l'heure où l'on regrette d'avoir manqué l'école
Au suivant au suivant
Mais je jure que d'entendre cet adjudant de mes fesses
C'est des coups à vous faire des armées d'impuissants
Au suivant au suivant



Je jure sur la tête de ma première vérole
Que cette voix depuis je l'entends tout le temps
Au suivant au suivant
Cette voix qui sentait l'ail et le mauvais alcool
C'est la voix des nations et c'est la voix du sang
Au suivant au suivant
Et depuis chaque femme à l'heure de succomber
Entre mes bras trop maigres semble me murmurer
Au suivant au suivant

Tous les suivants du monde devraient se donner la main
Voilà ce que la nuit je crie dans mon délire
Au suivant au suivant
Et quand je ne délire pas j'en arrive à me dire
Qu'il est plus humiliant d'être suivi que suivant
Au suivant au suivant
Un jour je me ferai cul-de-jatte ou bonne sœur ou pendu
Enfin un de ces machins où je ne serai jamais plus
Le suivant le suivant

Au suivant, Jacques Brel