quarta-feira, maio 28, 2008

Na verdade, não se passa nada

Se a frase mais justa que disseres,
se o livro mais sábio que escreveres,
os tiveres sempre na tua cabeça,
ainda assim restará sempre o mesmo vazio e silêncio.

A palavra é um sopro gelado
de vento repetido no espaço.
pode refrescar-te, mas
não te ajudará a chegar a lado algum

Confia somente no enlace dos lábios,
no balbuciar incompreensível,
nos gestos suspensos no vácuo,
imperfeitos.

Podes ficar confuso com o ondular da multidão na rua,
com a vodka bebida no parque ou um pôr-do-sol.
Mas lembra-te: na verdade, não se passa nada
e nada acontecerá - até ao fim.

Nada!


Grzegorz Turnau (com tradução amiga, a melhor prenda!)


E parabéns para mim, que já vou nos 27!