quarta-feira, agosto 20, 2008

Sempre por bom caminho... e segue!

Não começou assim - "Eu dei aulas de português na Alemanha, a filhos de imigrantes, em Berlim, Munique e Lubeck e fui fazer muitas vezes férias à Polónia; e até lhe digo que estava em Varsóvia quando os sindicatos se insurgiram contra o Partido Comunista em revoltas anarco-sindicalistas de teor bakuniniano!" - mas quase que acabava. Foi o tempo de, comidas a sopa e a bifana, pedir a continha - ó fachavor! - e raspar-me. Começar.... pois deve ter começado quando o empregado de balcão perguntou se eu era cámone, que tinha ar disso, embora falasse muito bem português. "Sou português e professor de português - disse - e lá fora também pareço sempre estrangeiro, dizem-me". "Esteve fora?". "Na Polónia". "Boa gente essa de leste, trabalhadora e inteligente!"

Ou porque o restaurante Casa das Bifanas - especialidade em bifanas, conforme explica na montra, em letreiro grande, não sei porquê - fica na Praça da Figueira, Babilónia lisboeta; ou porque o Martim Moniz está ali ao lado e há, consta, muitos assaltos; definitivamente porque falávamos de estrangeiros, o parceiro do lado comentou, com o poder de quem tem hálito a pinga e pastel de bacalhau, doce do dia ainda na boca cheia: "Os estrangeiros é que fodem isto tudo!". Chegou e disse!

Daí ao "isto era bom era no tempo do Salazar" foi a Betesga, e a coisa começou. É que cometi o erro de lhe responder que era um optimista - no sentido voltairiano, do fica de olho na horta! - e que no tempo da velha senhora diriam que a I República é que era boa, e então que a monarquia constitucional, e então que o absolutismo e por aí adiante até que a Praça da Figueira era ainda pântano imundo sob um eléctrico e turvo céu pré-histórico... mas mesmo muito pré!

Bom... já percebem... entre o tentar mostrar que eu não me encontrava na presença de um leigo e que também estivera a ensinar, na Alemanha, etc, apanhei com meio pastel de bacalhau em cima... mas em partículas mais ou menos pequenas, e nem me fiz entender. Ele falava... e sabia de uma qualquer lei de 1994 de que eu não sabia..."era o Guterres primeiro-ministo" - dizia-me ele!!! Mas explicarei agora!

Sou optimista! Estou farto das conversas da cauda da Europa por parte de quem nunca saiu de cá, não viu, não sabe, e se serve da estatística tanto para dizer que o PIB é baixo, como para dizer que temos os melhores serviços bancários, etc., etc.; estou farto da insegurança parida pelos média, dando a ideia de que este país onde se morre de marasmo é o far west; estou farto desta ideia de que o governo está sempre contra todos porque isto é, no fim de contas, uma república das bananas - só não se deram conta de que os bananas somos nós!; estou farto, farto, farto! Os portugueses deveriam ser obrigados a viver lá fora, nem que fosse por um mês; deveriam ser postos ao largo, num barco, avistando terra sem poder alcançá-la nunca. É que estou farto! Ponham-nos do outro lado da fronteira! Importem negros, amarelos, vermelhos - gente que queira vir para cá, e estar cá, e para quem este país seja, mais do que tudo, uma possibilidade e não este cepticismo permanente, esta queixa amargurada de quem nisso justifica toda a falha.

A partir de agora, resolutamente, vou saber e pensar e dizer que vivo no melhor país do mundo - que tem as suas falhas, é certo, mas que o que conta é a possibilidade de mudar e fazer melhor - "sempre por bom caminho e segue", como dizia o Grandela! Que dez milhões de macacos, todos juntos, se quisessem, poderiam mudar a sua atitude e, onde vêem o mau, passassem a ver uma possibilidade de fazer o bom; onde o bom, a possibilidade de fazer melhor; onde o melhor, a possibilidade do diferente. Abrir a boca e deixar o cámone a pensar... wow! têm falhas no sistema de segurança social, mas vivem no melhor país do mundo. Em suma, atitude e trabalho! Mas atitude, só... já era muito! E não é um nacionalismo parolo, de bandeirinhas e hinos - é o nacionalismo que, na possibilidade interna do bom, do melhor, do diferente, prepara a possibilidade externa, internacional, do óptimo! É o nacionalismo da felicidade!


A sério que chego a pensar como é que chegámos até aqui... "yo sigo buscando caminos", como dizia o Machado!